quarta-feira, 2 de março de 2016

Dinâmicas para Oficina de Criatividade


Como sabemos, por experiência própria, da dificuldade de encontrar dinâmicas realmente eficientes, vamos compartilhar com vocês algumas das dinâmicas que utilizamos em nosso curto tempo de atuação.

Música
Objetivos: cada música expressa em sua letra ou melodia algum sentimento ou alguma coisa que pode ser trabalhada.
Como fazer:
  1. Distribuir a letra da música para cada participante.
  2. Colocar a música para tocar e pedir que escutem, ou de olhos fechados, ou lendo.
  3. Perguntar quais sentimentos a música desencadeou.


Dinâmica da montanha
Objetivo: trabalhar a ansiedade, a frustração e relaxamento.
Como fazer:
  1. Informar aos participantes: "Você vai fazer uma viagem a pé. Será um trajeto muito longo, por isso você não deve levar muito peso - só o básico necessário, pouca roupa, tênis confortável, bebida energizante, protetor solar e muita disposição. Até o final da sua viagem, você deverá contemplar um grande objetivo que você espera".
  2. Solicitar que todos deitem no chão ou fiquem o mais confortáveis possível. Colocar uma música instrumental leve, porém ritmada, no início - dando ideia de caminhada, trajeto a percorrer.
  3. Continuar dizendo: "Você está começando a sua viagem agora... Ainda está dentro da cidade, observa as ruas, os carros, as casas, as pessoas. É muito cedo, a brisa está fria, está um dia bonito. Agora você está deixando a cidade, pegou um trecho de asfalto... poucas casas, quase gente nenhuma, um ou outro carro que vai ou vem. A estrada, agora, é de cascalho, um pouco estreita, algumas árvores, vegetação rasteira, bem verde... Começou a chover suavemente, mesmo com o sol, e você está contemplando um arco-íris. O sol está ficando mais quente, já é quase meio-dia, você já não vê mais ninguém... está andando sozinho, precisa parar um pouco, mas não vê nenhuma árvore - está um grande descampado. Você, agora, está avistando ao longe, algumas árvores. Apressa o passo. Sabe que precisa chegar ao seu objetivo antes do anoitecer. Um som gostoso de água - parece cachoeira - lhe chega aos ouvidos. Você começa a descer um trecho, onde já avista lá embaixo, muitas árvores e uma linda queda d'água formando um lago. Aproveite e tenha seu merecido descanso. Tome banho, delicie-se com as frutas e a água cristalina... Dê um tempo pra você. As horas estão passando, já são quase três da tarde e você tem ainda um bom pedaço de caminhada. Um trecho de árvores e muita sombra... A caminhada, a partir de então, oferece alguns riscos - cuidado com insetos, espinhos e cobras. O trajeto começa a ficar íngreme e você já avista a montanha, onde, lá em cima, está seu objetivo... Muitas pedras, as dificuldades são maiores, mas a parada que você fez e o vislumbre da chegada à reta final lhe dão um ânimo novo. Você já subiu mais da metade da montanha. Pára um pouco. Assenta-se numa pedra. Olha para baixo. Visualiza tudo o que ficou para trás. Avalia o quanto você já fez. Continua... O vento, agora sopra mais frio. Já são mais de quatro da tarde e você já pode avistar o topo. Falta pouco. Você está a alguns metros do topo da sua montanha, de chegar ao seu objetivo. O vento está muito forte, e você tem que redobrar os seus cuidados. Falta quase nada agora. Você está avistando o platô... Mas tem uma surpresa para você agora: ao longo de toda a montanha, tem um muro... um muro mesmo! Mas o que é que um muro está fazendo no alto da montanha?"
  4. Pedir para que os participantes retornem aos seus lugares, pois terminou a viagem. 


Dinâmica dos Ditos Populares
Objetivo: quebra de paradigmas, a construção de novos significados e o trabalho em equipe. 
Como fazer:
  1. Levar cartões com de ditos populares (metade do dito num cartão, e a outra metade em outro), mas tais ditos não são os convencionais (ver abaixo).
  2. Distribuí-las para os participantes, tendo a certeza de que cada participante receberá tiras com pedaços de ditados diferentes.
  3. Pedir para que eles encontrem, a sua maneira, encontrem a parte de completa seu dito.
  4. Após todos terem juntado os pares, pedir que leiam os ditados.

 Exemplos de ditos populares modificados:
  • ·         Ri melhor ... quem entende a piada.
  • ·         Cada macaco ... com sua macaquinha.
  • ·         De médico e louco... é melhor fugir um pouco.
  • ·         Quem ama o feio... namora em casa.
  • ·         Prevenir é melhor... do que ser pego de surpresa.
  • ·         Quando um não quer... o outro insiste.
  • ·         Quem não tem cão... não gasta dinheiro com veterinário.
  • ·         Quem tudo quer... tudo pede.
  • ·         Roupa suja... se lava na máquina.
  • ·         Os últimos... serão desclassificados.


 Cartaz de si mesmo
Objetivos: promover um olhar para si e melhor conhecimento do outro, favorecer a desinibição e estimular a criatividade.
Como fazer:
  1. Entregar uma folha em branco, revistas, tesoura e cola a cada participante.
  2. Pedir para que recortem imagens e colem na folha, de forma a melhor representa-los.
  3. Quando todos terminarem, despor os cartazes e pedir para que o grupo tente identificar o dono de cada cartaz, apresentando a justificativa.

  
Caixa dos segredos
Objetivos: trabalhar o medo do desconhecido
Como fazer:
  1. Colocar em uma mesa uma caixa com um buraco, grande o suficiente para pôr a mão, mas que não se possa ver o que tem dentro (pode colocar dela qualquer coisa, de preferência com textura, como areia ou uma escova de cabelo).
  2. Pedir que cada participante coloque a mão dentro do buraco e descreva o que sente.
  3. Discutir o que cada um sentiu ao lidar com o desconhecido.


Linha da vida
Objetivos: refletir sobre as coisas que foram mais marcantes em sua vida e sobre o futuro.
Como fazer:
  1. Entregar uma folha em branco e um lápis para cada participante.
  2. Pedir para que façam uma linha do tempo, com os principais acontecimentos da vida e o ano em que os fatos aconteceram, do nascimento até hoje e daqui cinco anos.
  3. Discutir quais os marcos da vida e quais os objetivos futuros.


Dinâmica do castigo
Objetivos: falar sobre respeito e mostrar que o que não queremos para nós, não desejamos para o outro.
Como fazer:
  1. Distribuir um pedaço de papel e uma caneta para cada participante.
  2. Dizer: “Somos todos pessoas, não é? Portanto, ninguém aqui vai ficar chateado se receber um castigo de outra pessoa. Então vocês vão escolher uma pessoa, e dar um castigo à ela. Isso será feito da seguinte forma: no papel deverá ser escrito o nome de quem vai dar o castigo, o castigo em si e o nome de quem vai realizar o castigo. 
  3. Recolher todos os papéis e falar o desfecho da dinâmica: 
  4. “Acontece que o feitiço virou contra o feiticeiro, portanto quem deu o castigo é que vai realizá-lo”. Então, quem escreveu, terá que realizar o castigo.
  5. Discutir sobre como foi realizar o castigo dado a outro. 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Oficina de Criatividade com pré-vestibulandos

No nosso último ano de faculdade, realizamos um estágio de Oficina de Criatividade com adolescentes terceiranistas que estavam prestes a prestar o vestibular/Enem.

No período da adolescência, ocorrem muitas mudanças físicas, psicológicas e sociais. Há a construção da identidade do ser, sendo que a escolha da carreira profissional influencia muito nesta construção.

Culturalmente, o vestibular é muito importante para um bom futuro profissional, entretanto, o exame se dá juntamente com o período turbulento da puberdade, sendo que escolher a profissão gera ansiedade. Outro fator estressante é que a maioria dos vestibulandos não são aprovados.

Sabe-se que o período pré-vestibular é estressante, pois envolvem várias emoções conflituosas, como ansiedade, dúvidas, medos... Lidar assertivamente com o estresse pode ser um fator mais importante para a classificação no exame do que os conhecimentos acadêmicos propriamente ditos. Sendo assim, o nosso objetivo foi trabalhar de forma a auxiliar o adolescente a lidar com essa situação tão estressante e tão importante em sua vida.

Durante as Oficinas, foram abordados temas como: o vestibular, a ansiedade que ele gera, a pressão da família, o medo de não passar, de decepcionar os pais, de não escolher o curso certo e da pressão de passar numa faculdade federal. No decorrer das sessões, buscamos trazer recursos expressivos adequados para abordar tais questões.

A evolução dos adolescentes foi visível e se notou após cada dinâmica uma melhor adequação a situação, ou seja, se antes eles relatavam ter medo e insegurança, agora eles se mostravam mais tranquilos, seguros e até mesmo aliviados por terem alguém para conversar.

Referências: 

ROCHA, T. H. R., et.al. Sintomas depressivos em adolescentes de um colégio particular. Psico-USF. v. 11, n. 1, p. 95-102, 2006.

SILVA, L. S. D.; ZANINI, D. S. Coping e saúde mental de adolescentes vestibulandos. Estudos de Psicologia. v. 16, n. 2, p. 147-154, 2011.

SOARES, A. B.; MARTINS, J. S. R. Ansiedade dos estudantes diante da expectativa do exame vestibular. Paideia. v. 20, n. 45, p. 57-62, 2010.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Oficina de Criatividade - o que é?


A Oficina de Criatividade é uma área ainda muito desconhecida da Psicologia.  Ela é um espaço que favorece a elaboração das experiências individuais e coletivas, através do uso de recursos expressivos (o ponto chave dessa modalidade), que favorecem o desvelamento de temas que não são expresso pela fala.

O trabalho do psicólogo com grupos em uma oficina de criatividade é de extrema importância, pois se pode auxiliar os indivíduos no florescimento de suas potencialidades por meio das atividades criativas propostas.

Seu objetivo não é a elaboração de um trabalho “bonito”, “certo”, nem a criatividade por ela mesma, mas sim facilitar a reexperimentação de sentido, devolvendo ao indivíduo o seu caráter de pertença social.

Os recursos expressivos proporcionam uma aprendizagem por meio da experiência, possibilitando que, por meio dos temas trabalhados, os participantes tenham a oportunidade de se perceber afetivamente, uma vez que eles promovem o olhar para si. As atividades desenvolvidas nas Oficinas não são o objetivo final, mas sim uma forma de conhecer a si mesmo e ao outro.

As Oficinas possibilitam o espaço para novas formas de escuta, assim como diferentes formas de se relacionar e discutir problemas, o que possibilita encontrar soluções coletivas, uma vez que a forma de compreensão de um indivíduo pode facilitar para a compreensão de outros sujeitos do grupo.

O oficineiro:

Cabe ao oficineiro ser um facilitador do grupo, acompanhando, acolhendo e direcionando seus participantes de acordo com a demanda que estes trazem.

A demanda do grupo muitas vezes caminha para um rumo diferente daquele que o oficineiro esperava e cabe a ele usar da sua própria criatividade para remanejar a atividade programada.

Os passos:

1º - introdução: neste primeiro momento, o oficineiro faz uma preparação, fazendo com que os participantes foquem em si mesmos;

2º - atividade: aqui, os participantes executam a tarefa trazida pelo oficineiro, em um tempo determinado;

3º - discussão: neste momento, todos compartilham como foi realizar a atividade, e o oficineiro direciona a discussão a fim de que os participantes falem dos seus sentimentos desencadeados durante a atividade ou pela fala de outros.

Nas próximas postagens, vamos falar um pouquinho mais da nossa experiência.

Referências: 

AFONSO, L. Oficinas em dinâmica de grupo: um método de intervenção psicossocial. Belo Horizonte: Edições do Campo Social, 2002.

CUPERTINO, C. M. B. Espaço de criação em Psicologia: oficinas na prática. São Paulo: Annablume, 2008.

HALPERN-CHALON, M. O processo de aprendizagem vivencial semeando o desenvolvimento humano. In: CUPERTINO, C. M. B. Espaço de criação em Psicologia: oficinas na prática. São Paulo: Annablume, 2008.

JORDÃO, M. P. Oficinas em aconselhamento: um processo em andamento. In: MORATO, H. T. P (org.). Aconselhamento psicológico centrado na pessoa: novos desafios. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1999.

OSTRONOFF, V. H; FAVERO, C. B e BALDIN, P. D. Uma experiência de supervisão em oficinas de criatividade. In: CUPERTINO, C. M. B. Espaço de criação em Psicologia: oficinas na prática. São Paulo: Annablume, 2008. 


sábado, 28 de novembro de 2015

Psi... Que? Psicologia!

Nossa intenção aqui é desvendar essa coisa chamada Psicologia, tão abstrata, tão complexa, tão rica e maravilhosa.

Mas vamos fazer isso de uma forma simples, tranquila, baseada em nossa experiência acadêmica e profissional... Não que seja muita, já que somos recém formadas hehehe

Também não temos a pretensão de reescrever grandes pensadores ou ditar o que é ou não verdade. Apenas vamos apresentar o nosso entendimento da psique humana.

Esperamos realmente poder contribuir para um melhor entendimento dessa ciência, seja você estudante, psicólogo ou leigo.

Seja bem-vindo!