quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Oficina de Criatividade com pré-vestibulandos

No nosso último ano de faculdade, realizamos um estágio de Oficina de Criatividade com adolescentes terceiranistas que estavam prestes a prestar o vestibular/Enem.

No período da adolescência, ocorrem muitas mudanças físicas, psicológicas e sociais. Há a construção da identidade do ser, sendo que a escolha da carreira profissional influencia muito nesta construção.

Culturalmente, o vestibular é muito importante para um bom futuro profissional, entretanto, o exame se dá juntamente com o período turbulento da puberdade, sendo que escolher a profissão gera ansiedade. Outro fator estressante é que a maioria dos vestibulandos não são aprovados.

Sabe-se que o período pré-vestibular é estressante, pois envolvem várias emoções conflituosas, como ansiedade, dúvidas, medos... Lidar assertivamente com o estresse pode ser um fator mais importante para a classificação no exame do que os conhecimentos acadêmicos propriamente ditos. Sendo assim, o nosso objetivo foi trabalhar de forma a auxiliar o adolescente a lidar com essa situação tão estressante e tão importante em sua vida.

Durante as Oficinas, foram abordados temas como: o vestibular, a ansiedade que ele gera, a pressão da família, o medo de não passar, de decepcionar os pais, de não escolher o curso certo e da pressão de passar numa faculdade federal. No decorrer das sessões, buscamos trazer recursos expressivos adequados para abordar tais questões.

A evolução dos adolescentes foi visível e se notou após cada dinâmica uma melhor adequação a situação, ou seja, se antes eles relatavam ter medo e insegurança, agora eles se mostravam mais tranquilos, seguros e até mesmo aliviados por terem alguém para conversar.

Referências: 

ROCHA, T. H. R., et.al. Sintomas depressivos em adolescentes de um colégio particular. Psico-USF. v. 11, n. 1, p. 95-102, 2006.

SILVA, L. S. D.; ZANINI, D. S. Coping e saúde mental de adolescentes vestibulandos. Estudos de Psicologia. v. 16, n. 2, p. 147-154, 2011.

SOARES, A. B.; MARTINS, J. S. R. Ansiedade dos estudantes diante da expectativa do exame vestibular. Paideia. v. 20, n. 45, p. 57-62, 2010.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Oficina de Criatividade - o que é?


A Oficina de Criatividade é uma área ainda muito desconhecida da Psicologia.  Ela é um espaço que favorece a elaboração das experiências individuais e coletivas, através do uso de recursos expressivos (o ponto chave dessa modalidade), que favorecem o desvelamento de temas que não são expresso pela fala.

O trabalho do psicólogo com grupos em uma oficina de criatividade é de extrema importância, pois se pode auxiliar os indivíduos no florescimento de suas potencialidades por meio das atividades criativas propostas.

Seu objetivo não é a elaboração de um trabalho “bonito”, “certo”, nem a criatividade por ela mesma, mas sim facilitar a reexperimentação de sentido, devolvendo ao indivíduo o seu caráter de pertença social.

Os recursos expressivos proporcionam uma aprendizagem por meio da experiência, possibilitando que, por meio dos temas trabalhados, os participantes tenham a oportunidade de se perceber afetivamente, uma vez que eles promovem o olhar para si. As atividades desenvolvidas nas Oficinas não são o objetivo final, mas sim uma forma de conhecer a si mesmo e ao outro.

As Oficinas possibilitam o espaço para novas formas de escuta, assim como diferentes formas de se relacionar e discutir problemas, o que possibilita encontrar soluções coletivas, uma vez que a forma de compreensão de um indivíduo pode facilitar para a compreensão de outros sujeitos do grupo.

O oficineiro:

Cabe ao oficineiro ser um facilitador do grupo, acompanhando, acolhendo e direcionando seus participantes de acordo com a demanda que estes trazem.

A demanda do grupo muitas vezes caminha para um rumo diferente daquele que o oficineiro esperava e cabe a ele usar da sua própria criatividade para remanejar a atividade programada.

Os passos:

1º - introdução: neste primeiro momento, o oficineiro faz uma preparação, fazendo com que os participantes foquem em si mesmos;

2º - atividade: aqui, os participantes executam a tarefa trazida pelo oficineiro, em um tempo determinado;

3º - discussão: neste momento, todos compartilham como foi realizar a atividade, e o oficineiro direciona a discussão a fim de que os participantes falem dos seus sentimentos desencadeados durante a atividade ou pela fala de outros.

Nas próximas postagens, vamos falar um pouquinho mais da nossa experiência.

Referências: 

AFONSO, L. Oficinas em dinâmica de grupo: um método de intervenção psicossocial. Belo Horizonte: Edições do Campo Social, 2002.

CUPERTINO, C. M. B. Espaço de criação em Psicologia: oficinas na prática. São Paulo: Annablume, 2008.

HALPERN-CHALON, M. O processo de aprendizagem vivencial semeando o desenvolvimento humano. In: CUPERTINO, C. M. B. Espaço de criação em Psicologia: oficinas na prática. São Paulo: Annablume, 2008.

JORDÃO, M. P. Oficinas em aconselhamento: um processo em andamento. In: MORATO, H. T. P (org.). Aconselhamento psicológico centrado na pessoa: novos desafios. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1999.

OSTRONOFF, V. H; FAVERO, C. B e BALDIN, P. D. Uma experiência de supervisão em oficinas de criatividade. In: CUPERTINO, C. M. B. Espaço de criação em Psicologia: oficinas na prática. São Paulo: Annablume, 2008.